- Blog da Claudinha atualizado -
- Blog da Claudinha atualizado -
30/05/08
Oxente!!!
Faz menos de um mes que um professor da Universidade Federal da Bahia fez um comentario mediocre e preconceituoso sobre o nivel dos baianos que cursam Medicina. Nao sei se todos sabem do fato, portanto, depois de ter recebido a poesia (Cordel) por e-mail- enviado hoje por meu pai- resolvi salientar aqui no blog que com BAIANO NINGUEM MEXE!
Sim. Somos todos alegres, receptivos e carnavalescos, mas isso nao faz de nos "tapados". A proposito, sou baiana com muito orgulho e tenho titulo de cidada concedido pela prefeitura de Salvador. Embora ame o Brasil, nao pretendo sair da minha terra, onde vivo desde os primeiros dias de minha vida, e eh nesse estado abencoado, precisamente em Salvador, que pretendo criar meus filhos.
E, pra ser bem honesta, isso nao se trata apenas da minha "baianidade nago", mas do fato de eu abominar todo tipo de preconceito, principalmente os etnicos.
Eis a resposta digna de "Miguezim de Princesa", pseudonimo de Miguel Lucena Filho, que- acabo de descobrir- eh delegado de policia do Distrito Federal e jornalista, ao professor que foi exonerado. Tenho certeza que depois de provar do proprio veneno, esse professor vai pensar bem melhor antes de disseminar esse tipo de opiniao.
A vingança do berimbau
Miguezim de Princesa
Superado pelo tempo,
Ensinando muito mal,
Fabricando mil diplomas
Para entupir hospital,
O doutor da faculdade
Botou, com toda maldade,
A culpa no berimbau.
II
Disse o doutor Natalino
Que o baiano é um mocó,
Sem coragem e inteligência,
Preguiçoso de dar dó,
Só liga pra carnaval
E só toca berimbau
Porque tem uma corda só.
III
O sujeito ignorante
Não conhece o berimbau,
Que atravessou o mundo
Com toda a força ancestral.
Na fronteira da emoção,
Traz da África a percussão
Da diáspora cultural.
IV
Nem Baden Powel resistiu
À percussão milenar,
Uma corda a encantar seis
Na tristeza camará
De Salvador da Bahia.
Quem toca e canta poesia
Na dança sabe lutar.
V
O doutor, se estudou,
Na certa não aprendeu nada:
Diz que o som do Olodum
Não passa de uma zoada
E a cultura baiana
É uma penca de bananas,
Primitiva e atrasada.
VI
Jimmy Cliffi, Michael Jackson,
Paul Simon e o escambau
Se renderam ao Olodum
Com seu toque genial,
Que nasceu no Pelourinho
E hoje abre caminho
No cenário mundial.
VII
O baiano é primitivo?
Veja só o resultado:
Ruy foi o Águia de Haia;
Castro Alves, verso-alado
De poeta condoreiro,
E gente do mundo inteiro
Se curvou a Jorge Amado.
VIII
Bethânea, Caetano e Gil,
Armandinho, Dodô e Osmar,
Gal Costa, Morais Moreira,
Batatinha a encantar
João Gilberto, Bossa Nova
Novos Baianos são prova
Da grandeza do lugar.
IX
Glauber, no Cinema Novo;
Gregório, velha poesia;
Gordurinha, no rojão;
Milton, na Geografia;
Anísio, na Educação;
Dias Gomes, na encenação;
João Ubaldo e Adonias.
X
Menestrel da cantoria
Temos o mestre Elomar,
Xangai, Wilson Aragão,
Bule-Bule a improvisar,
Roberto Mendes viola
A chula – samba de Angola,
Nosso samba de além-mar.
XI
Se eu fosse citar todos
Que merecem citação,
Faria um livro de nomes
Tão grande é a relação.
Desculpe, Afrânio Peixoto,
Esse doutor é um roto
Procurando promoção!
XII
Com vergonha do que fez:
Insultar toda a Nação,
O tal doutor Natalino
Pediu exoneração
E não encontra ninguém,
Nem um nazista do além,
Para tomar a lição.
XIII
O baiano é pirracento,
Mas paga com bem o mal:
Dá uma chance a Natalino
Lá no Mercado Central
De ganhar alguns trocados
Segurando o pau dobrado
Da corda do berimbau.